Houston in the blind.

No intervalo de uma aula particularmente chata, é hora de ler o jornalzinho de atrações da semana. Na capa, o filme para o qual uma amiga me convidou – “aquele no espaço”. Apesar de não ser exatamente o tipo de filme que me faz sair de casa, aceitei o convite por curiosidade. Afinal, não é todo dia que a gente vê um filme no espaço que não é sci-fi.

Ah, e ela tinha ingressos promocionais. Fator decisivo.

O autor da matéria começa dizendo que Gravity é uma revolução no cinema desde A Chegada de Um Trem na Estação dos Lumière. Afirmação a que respondi com um “ein!?“. Um exagero tão absurdo que me fez desistir de ler o resto. Quer dizer, isso até ver o filme.

É claro que uma locomotiva hoje não mete medo em ninguém, mas os Lumière retrataram uma realidade simples que apelava pros sentimentos humanos mais primitivos, surpreendendo o público com algo incompreensível à época. Descobriu-se que os filmes poderiam fazer mais do que apenas registrar cenas, eles podiam nos fazer saltar da cadeira – literalmente. Ou, no caso de Gravity, agarrar-se à ela pra não acabar à deriva.

Logo nos primeiros segundos, você é jogado bruscamente no vazio contínuo por conta de um forte som crescente que silencia de súbito. A partir daí, somos surpreendidos com algo uma realidade simples, mas que ainda nos é incompreensível: o espaço. A presença constante da Terra nos serve de referência para o conhecido e é quando ela desaparece de quadro que o sentimento de angústia se acentua, pois o vazio é inquietante. No entanto, a Terra nunca nos é apresentada por inteiro já que a intenção de Cuáron é nos envolver completamente naquele contexto, nunca nos colocar à distância.

Temos a impressão de que finalmente entenderam pra quê serve o 3D. E aí está a palavra-chave que liga duas obras tão distintas: imersão. Somos convencidos da veracidade do que está diante dos olhos, mas ao mesmo tempo não somos capazes de entender o mecanismo da coisa. É intrigante e só me faz pensar que eu quero ver de novo.

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