Com a parede.

Na faculdade, tinha esse professor que não aceitava que respondêssemos às provas com afirmações de terceiros. Para ele, o uso da estrutura “segundo Fulaninho, é isso e pronto” era inaceitável. Tudo bem que você concordasse com Fulaninho, mas tinha que dizer o porquê e como, com suas palavras e linha de raciocínio próprias. Pra mim, nada mais justo já que quem estava respondendo à prova era você e não Fulaninho.

No fim das contas, usar argumento de autoridade é como ir pra uma briga de dois contra um. A partir do momento que se traz para uma discussão um milhão e meio de citações, a única coisa que se está fazendo é uma compilação. E compilação qualquer um faz.

Mas pior do que chamar os amigos imaginários pra conversa, é introduzir uma afirmação com descrição autobiográfica. Exemplifico: num debate sobre qualquer tema abstrato, sempre vai surgir alguém pra levantar o dedo e dizer “porque eu nasci em… porque eu estudei isso… porque meu avô planta melancia, etc, logo, entendo do assunto e você não”. Basicamente um “quer saber mais do que eu?” em versão estendida. Além de ser (um quase) argumento de autoridade, é narcisista.

Por isso, desisti pra vida dessa coisa de estar certa. Não, estar certa é demais. Desisti de ao menos argumentar ao me deparar com situações assim. Para todos os efeitos de todas as coisas sobre qualquer assunto, estou errada. Mas não somente errada no sentido de acreditar ou defender algo que não corresponde à realidade. É algo mais profundo. Algo tão errado a ponto de ter alguém pra chegar e me dizer “é uma pena que você pense assim”. Tão errada que virei digna de pena, mas ainda melhor do que discutir com a parede.

Mais errado do que eu, somente meu amigo que decidiu responder a tudo com uma foto do Plínio.

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3 comentários em “Com a parede.

  1. Dia desses, li uma frase no twitter que concorda contigo: “iniciar uma réplica com ‘está na Bíblia que’ é o mesmo que dizer ‘a Mulher Maravilha falou'”. Nenhuma verdade é absoluta, é tudo uma questão de opinião mesmo. Inclusive, se eu digo que o gato aqui do lado é cor de amarelo, algum daltônico vai chegar pra dizer que é azul. E eu não posso fazer nada, o cara também “tá certo”.
    Plínio morreu né?
    Abraços.

  2. Essa é minha filosofia também. Tem horas que não adianta discutir, o melhor é evitar a fadiga mesmo. Dia desses li uma frase do Robert Downey Jr. que diz o seguinte: “Listen, smile, agree, and then do whatever the fuck you were gonna do anyway”. Acho que se encaixa perfeitamente nessas situações.

    PS.: Chorei com a foto do Plínio. XD

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