Classicomania.

Numa aula de inglês qualquer, há sei lá quanto tempo, alguns colegas começaram a falar sobre os seus autores favoritos e o professor os perguntou quais eles gostariam de conhecer pessoalmente. Ao chegar a minha vez, respondi meio sem pensar e num tom quase Tim Burton: “Prefiro os mortos”. Num átimo ressaltei, “Fora o Saramago” – este morreu algum tempo depois. Lembro-me da cara de perplexidade do professor ao ouvir a primeira parte e da outra, de alívio, ao perceber que, felizmente, não se tratava de um caso de necrofilia.

Ao me questionar sobre o porquê disso, não soube o que responder. Apenas que era assim. Acho que todo mundo tem fases estranhas de cabelo e gosto pela leitura. Na época, eu me recordo, só lia romances ingleses do século XIX e usava franja sempre. Acho que o meu lado mocinha clássica estava aflorado. A franja continua.

Outro dia, vendo tantos elogios por aí sobre o Murakami e outros, que eu não tenho ainda nenhuma vontade de ler, refiz a pergunta do meu professor e acho que obtive uma resposta minimamente razoável. A lógica é um pouco intolerante, mas é assim: se um livro durou tempo o suficiente em evidência pra se tornar um clássico, fazendo sentido desde quando foi escrito até os tempos atuais, então é porque ele não é fruto de uma única época ou de uma febre editorial. Daí que os lançados hoje serão clássicos um dia, ou não. E pra isso eu acho que posso esperar pra ver quem vai sobreviver.

Talvez a única coisa na vida para qual eu seja realmente paciente.

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