Fig tree.

Cada um tem um limiar psicológico que separa o discurso de “no futuro eu me preocupo com isso” daquele que invoca uma urgência interna em ver as coisas serem feitas. É uma espécie de prazo que damos a nós mesmos para que criemos a coragem necessária para abandonar a zona de conforto, seja ela qual for: na vida profissional, amorosa, falar algo engasgado, escrever um romance, o que for. Da coisa mais besta à mais complexa, cada um tem seu prazo.

Hoje eu faço vinte e quatro anos e com isso se inicia o último ano do meu prazo interno. Aos vinte e cinco a coisa é outra. É nessa idade que se recomenda iniciar o uso de cremes rejuvenecedores e eu estou tentando não pensar nisso porque, nesta semana que se segue, um fator de muitas mudanças irá se delinear. Um fator capaz de me ajudar a cumprir o meu prazo ou adiá-lo um pouco mais. O meu próprio ponto de virada.

Como quando somos capazes de distinguir com a claridade de um espectador os momentos responsáveis por mudar o rumo de todo um enredo, cá estou eu, assistindo aflita e um pouco esperançosa o desenrolar dessa história. Sinto-me sentada na figueira da Sylvia Plath, tentando escolher pacientemente a fruta que será responsável por desenhar todo o resto, aquela que mudará tudo. Torço apenas para que a trama se resolva antes que os figos comecem a apodrecer e cair aos meus pés.

I saw my life branching out before me like the green fig tree in the story. From the tip of every branch, like a fat purple fig, a wonderful future beckoned and winked. – The Bell Jar, Sylvia Plath

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