Defeitos e efeitos.

Caravana na escola.

Desde pequena, a convivência com câmeras analógicas e salas de revelação era rotineira graças à profissão do meu pai. Ver as imagens surgindo no papel branco num processo que, pra mim, era inexplicável, sempre teve um pouco de sobrenatural. Até hoje tem. E aí que há uns seis anos atrás, a Bravo! publicou uma matéria de apenas uma página em que falava sobre uma “nova modalidade” de fotografia, a tal da Lomografia. A matéria vinha acompanhada de uma imagem de um homem de sunga à beira de um riacho com um vazamento de luz insuportavelmente bonito. Para explicar o surgimento das câmeras lomos, o texto trazia uma história cheia de fatos e versões e ainda regras que estabeleciam o desapego ao enquadramento a todas as outras convenções da fotografia. Libertador, irresistível.

Bonde do Rolê.

Não demorou muito para que eu me visse completamente envolvida nesse conceito, enlouquecendo o meu pai com câmeras absurdamente coloridas com várias lentes (usadas ao mesmo tempo). Acho que apesar de achar tudo o que eu o mostrava interessante, ele nunca entendeu bem a ideia. Não o culpo. “Fotografar do quadril!?”.

A coisa toda foi um vórtex da obsessão e hoje me encontro com oito câmeras analógicas (entre lomográficas e reflex), infinitos filmes queimados e até uma Lomo Matrix produzida. A minha última aquisição foi um impulso sem volta e também o fim do dinheiro que me restava das bolsas de pesquisa: uma LC-Wide (nome pronunciado com voz de propaganda de xampu). O início da relação foi bastante sem graça e cheia de decepções, por pouco não rompíamos. As fotos saíam sem cores e a lente de 17mm parecia ser uma armadilha na qual eu havia caído. Havia sido enganada, logo eu.

Bonde do Rolê.

Até que um dia o mecanismo de passar o filme travou. Claro que eu pensei “droga!” e várias outras coisas impronunciáveis. Mas o que parecia ser um defeito se revelou a melhor das coisas possíveis. As fotos não apenas saíram, como formaram misturas malucas que nem múltiplas exposições permitiriam. O fato de uma ficar grudadinha na outra, causou o melhor efeito que já consegui de forma não planejada. O defeito virou efeito e eu não pretendo consertá-lo.

Up in a tree K I S S I N G.

Mais no Flickr e na Lomo Home.

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