O perigo em se resgatar pessoas.

À parte todos os problemas de cunho socioafetivo e temporal que as redes socias nos causam, existe nelas uma utilidade traiçoeira: a possibilidade que temos de recuperar pessoas. E, na maioria das vezes, nos decepcionarmos. Seja nos decepcionarmos com elas ou com nós mesmos, a regra geral é a decepção.

Ainda na época do Orkut (sim, o Orkut teve a sua época), eu decidi procurar por um garoto que, aos meus dez anos, era o que se pode chamar de amor platônico. Dividíamos os controles de seu autorama e ele sempre ganhava porque jogava com o melhor carrinho. Bem aí, o meu espírito competitivo deveria gritar e exigir por algum modo de tornar a disputa mais justa. Mas eu estava apaixonada e apaixonados aceitam essas sacanagens.

De vez em quando, ele cantava uma música de Skank que havia sido lançada na época, “Garota Nacional”, e me fazia odiar a tal menina de vestidinho preto, mesmo sem ter ideia do que “indefectível” significava.

Anos depois, com muita insistência e um pouco de instinto stalker, eu o encontrei. Digo, encontrei sua página no Orkut. Na foto do perfil, a única que eu podia visualizar, seu cabelo estava grande e suas feições muito tinham mudado. Ele próprio estava bem maior do que eu esperava, como aquelas toalhas encolhidas que colocamos na água e sempre nos surpreendem pelas proporções que ganham.

Resolvi então checar o conteúdo, ainda mais importante que a capa. E foi aí que aprendi a lição do primeiro parágrafo: a regra é a decepção.

Dentre as suas comunidades, figurava uma de tamanho cunho inteletual que apenas descrevendo-a é possível alcançar. Tratava-se de uma página intitulada “Mulheres de calça branca”, que vinha majestosamente ilustrada com uma foto de um belo exemplar de traseiro feminino completamente sufocado numa calça dois números menores e, claro, branca.

É, as preferências dele por peças do vestuário feminino e correspondentes cores haviam mudado. Pra pior.

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2 comentários em “O perigo em se resgatar pessoas.

  1. Se fosse “mulheres de calça branca menstruadas que esqueceram o absorvente” eu respeitaria pela originalidade.

    Achei a coisa mais linda esse layout novo.

  2. Amei! Isso me lembrou aquele filme De repente 30. E algumas situações da vida. E a regra geral parece ser: “A beleza está nos olhos de quem vê.” Mas ainda bem que nosso olhar parece ficar mais apurado com o tempo.

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