Monstrinho de papel e lápis.

Três posts depois e eu já me questiono sobre a utilidade/relevância do presente blog.  Para ser clara e objetiva, basta responder “nenhuma” (seja para “utilidade” ou para “relevância”).

O fato é que este não é o primeiro blog que eu crio, já deve ser o quarto ou quinto. Como era de se esperar, nenhum deles deu em nada – e por que daria? Perdi bastante tempo escrevendo por escrever, sem me importar se alguém leria ou me preocupando demais sobre quem estaria lendo.

O último dessa lista de blogs falidos chamava-se Mundo Moinho, em referência à música de Cartola. Era pessoal demais, temperamental demais, proibido demais.  É claro que o apaguei sem dó na tentativa de fazer com que esse ato levasse junto pensamentos passados que já não me pertenciam. Até que descobri que, na verdade, os pensamentos já haviam partido há muito e que as palavras que restaram não me significavam nada mais do que meros exercícios de sentimentalismo.

A distância que me separava da pessoa que escreveu aqueles textos com as minhas próprias mãos era tão absurda, que por vezes eu me deparava com palavras estranhas e trechos intrigantes – “o que raios isso significa!?”. É sim verdade que há algo de muito bizarro em não se reconhecer na própria fala, mas não é nisso em que consiste a verdadeira prosa?

Hoje, lendo um dos inúmeros sites que constam no meu Reader, obtive uma interessante resposta vinda de alguém ainda mais interessante: Jack Kerouac. Em uma lista de trinta itens ele enumera crenças e técnicas pra prosa e pra a vida (sim, pois não é possível separar esses dois elementos) e em quinto lugar há o seguinte: “o que você sente achará sua própria forma”.

Eu não fui capaz de me reconhecer naquelas emoções impressas simplesmente porque em um dado momento elas tomaram forma de maneira rebelde e independente.

Seja lá como for, parece-me mais do que certo afirmar que absolutamente tudo passa, com exceção das palavras escritas. Estas são obstinadas o suficiente para teimarem em perdurar. Todo o cuidado é pouco ao se traduzir pensamentos para o papel, ainda que você o guarde na última gaveta daquele armário mofado que fica na dispensa da casa de campo, pois o monstrinho que poderá sair dali não será seu e não caberá a você domá-lo. Nem a ninguém.

Anúncios

2 comentários em “Monstrinho de papel e lápis.

  1. Estou nessa. Sabe, tive mil blogs, e meu último ficou grande por uns tempos – não sei bem o motivo, mas aconteceu. Sei que cada vez que o leio não me reconheço. Ok, reconheço aqui e ali uns trechos, e às vezes bate um ímpeto (mais devoto ao apego) e faço uns rabiscos, mas… só me sinto diferente e mais velho. Clean. No caso acho que preciso ser mais proibido, mais silencioso. Daí eu penso “Então porque você não cala a boca e vira uma pessoa decente e discreta que escreve em cadernos?” Eu queria, acho elegante essa coisa de não dividir nada a ninguém, mas… já descobri que a solidão vem por ela mesma e não é preciso ser mais sozinho do que já estamos – fadados a ser. Ou seja… vamos pensando em bons nomes e bons templates (são sempre bons!) e mudando. Desde que nos encontremos sempre, para mim está bem. : )

  2. Eu só queria dizer que: sim, estou comentado todos os textos e, por favor, não desista de escrever aqui. Estou adorando tudo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s